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quinta-feira, 18 de junho de 2020

Sistema colonial: Exercícios (Parte 1)


Os temas das questões abaixo são: Expansão colonial portuguesa na América:
- Características gerais da economia colonial no Brasil;
- Visão europeia sobre a cultura indígena;
- Capitanias hereditárias;
- Período pré-colonial;
- Invasão holandesa no Brasil;
- Expansão da pecuária no Sul

No link abaixo tem os slides e a explicação do conteúdo para resolução das questões.
ao final da atividade tem o vídeo com as explicações de cada questão!

https://artigosdehistoria.blogspot.com/2020/05/sistema-e-economia-colonial-parte-1.html

Bons estudos!

1 - (UEL-PR) – “Como não se tratava de regiões aptas para a produção de gêneros tropicais de grande valor comercial, como o açúcar ou outros, foi-se obrigado para conseguir povoadores (…) a recorrer às camadas pobres ou médias da população portuguesa e conceder grandes vantagens aos colonos que aceitavam irem-se estabelecer lá. O custo do transporte será fornecido pelo Estado, a instalação dos colonos é cercada de toda a sorte de providências destinadas a facilitar e garantir a subsistência dos povoadores; as terras a serem ocupadas são previamente demarcadas em pequenas parcelas, (…) fornecem-se gratuitamente ou a longo prazo auxílios vários (instrumentos de trabalho, sementes, animais, etc)”. (Prado Júnior, C. História econômica do Brasil. 27 ed. S. Paulo: Brasiliense, 1982. p. 95-6)
Com base no texto, é possível afirmar que o autor se refere:
a) à colonização do sertão nordestino através da pecuária.
b) à ocupação da Amazônia através das drogas do sertão.
c) à expansão para o interior paulista pelas entradas e bandeiras.
d) à colonização do Sul através da pecuária.
e) ao povoamento das Capitanias Hereditárias.

2 - (FGV) – Quais as características dominantes da economia colonial brasileira?
a) propriedade latifundiária, trabalho indígena e produção monocultura;
b) propriedades diversificadas, exportação de matérias-primas e trabalho servil;
c) monopólio comercial, latifúndio e trabalho escravo de índios e negros;
d) pequenas vilas mercantis, monocultura de exportação e trabalho servil;
e) propriedade minifundiária, colônias agrícolas e trabalho escravo.

3 -  (UFMG) – Leia o texto:

“A língua de que [os índios] usam, toda pela costa, é uma: ainda que em certos vocábulos difere em algumas partes; mas não de maneira que se deixem de entender. (…) Carece de três letras, convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não tem Fé, nem Lei, nem Rei, e desta maneira vivem desordenadamente (…).” (GANDAVO, Pero de Magalhães, História da Província de Santa Cruz, 1578.)

A partir do texto, pode-se afirmar que todas as alternativas expressam a relação dos portugueses com a cultura indígena, exceto:
a) A busca de compreensão da cultura indígena era uma preocupação do colonizador.
b) A desorganização social dos indígenas se refletia no idioma.
c) A diferença cultural entre nativos e colonos era atribuída à inferioridade do indígena.
d) A língua dos nativos era caracterizada pela limitação vocabular.
e) Os signos e símbolos dos nativos da costa marítima eram homogêneos.

4 - (Unaerp-SP) – Em 1534, o governo português concluiu que a única forma de ocupação do Brasil seria através da colonização. Era necessário colonizar, simultaneamente, todo o extenso território brasileiro. Essa colonização dirigida pelo governo português se deu através da:

a) criação da Companhia Geral do Comércio do Estado do Brasil.
b) criação do sistema de governo-geral e câmaras municipais.
c) criação das capitanias hereditárias.
d) montagem do sistema colonial.
e) criação e distribuição de sesmarias.

5 - (Cesgranrio) O início da colonização portuguesa no Brasil, no chamado período "pré-colonial" (1500-1530), foi marcado pelo(a):
a) envio de expedições exploratórias do litoral e pelo escambo do pau-brasil;
b) plantio e exploração do pau-brasil, associado ao tráfico africano.
c) deslocamento, para a América, da estrutura administrativa e militar já experimentada no Oriente;
d) fixação de grupos missionários de várias ordens religiosas para catequizar os indígenas;
e) implantação da lavoura canavieira, apoiada em capitais holandeses.

6 – (BrasilEscola) "Apesar dos exageros e incorreções, a Lettera de Américo Vespúcio para Piero Soderini com certeza continha várias passagens verídicas. Uma delas é o trecho no qual, referindo-se à sua primeira viagem ao Brasil, realizada entre maio de 1501 e julho de 1502, Vespúcio afirma: 'Nessa costa não vimos coisa de proveito, exceto uma infinidade de árvores de pau-brasil (...) e já tendo estado na viagem bem dez meses, e visto que nessa terra não encontrávamos coisa de metal algum, acordamos despedirmo-nos dela.' Deve ter sido exatamente esse o teor do relatório que Vespúcio entregou para o rei D. Manoel, em julho de 1502, logo após desembarcar em Lisboa, ao final de sua primeira viagem sob bandeira portuguesa. O diagnóstico de Vespúcio selou o destino do Brasil pelas duas décadas seguintes. Afinal, no mesmo instante em que era informado pelo florentino da inexistência de metais e de especiarias no território descoberto por Cabral, D. Manoel concentrava todos os seus esforços na busca pelas extraordinárias riquezas do Oriente”. (BUENO, Eduardo. Náufragos,traficantes e degredados: as primeiras expedições ao Brasil. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1998, p. 65.)
A descoberta do Brasil não alterou os rumos da expansão portuguesa voltada prioritariamente para o Oriente, o que explica as características dos primeiros anos da colonização brasileira, entre as quais se inclui o (a):
a) caráter militar da ocupação, visando à defesa das rotas atlânticas;
b) escambo com os indígenas, garantindo o baixo custo da exploração;
c) abertura das atividades extrativas da colônia a comerciantes das outras potências europeias;
d) migração imediata de expressivos contingentes de europeus e africanos para a ocupação do território;
e) exploração sistemática do interior do continente em busca de metais preciosos.

7 - (USS) Assinale a alternativa correta a respeito do período pré-colonial brasileiro:
a) A cordialidade inicial entre europeus e índios deveu-se ao fato de que o objetivo catequético superava os fins materiais da expansão marítima.
b) O trabalho intenso de Anchieta e Nóbrega na catequese dos índios tinha o objetivo de impedir a escravização do gentio.
c) A ocupação temporária europeia, por meio de feitorias, deveu-se à inexistência de organização social produtora de excedentes negociáveis.
d) A cordialidade dos indígenas contrastava com a hostilidade europeia dos portugueses, cujo objetivo metalista conduzia sempre à prática da violência.
e) Os franceses não reconheciam o domínio português, tanto que chegaram a se estabelecer no Rio de Janeiro e no Maranhão.

8 – (Brasilescola) "De começo, e fosse qual fosse, após a exploração cabralina, a importância dos conhecimentos geográficos sobre o Brasil, o interesse de D. Manuel pelos seus novos territórios da América foi, ao que parece, mais de ordem estratégica que econômica." (CORTESÃO, Jaime. Os descobrimentos portugueses, p. 1086, citado em MORAES, Antonio Carlos Robert. Bases da formação territorial do Brasil. São Paulo: HUCITEC, 2000, p. 174.)
Segundo o historiador português, Jaime Cortesão, no início do século XVI, a importância econômica dada à América pelo Estado português foi de ordem estratégica. Isto, porque:

a) apesar de terem sido encontrados imediatamente metais preciosos no território, os portugueses não tinham maior interesse neles;
b) as comunidades indígenas do litoral sul da América eram hostis a qualquer contato com os portugueses, o que impediu o desenvolvimento de atividades econômicas na região;
c) a extensão do litoral e o clima tropical impediam o desenvolvimento de atividades econômicas que permitissem a produção de bens valorizados na Europa;
d) o interesse português estava voltado para o Oriente, e o controle do litoral sul da América deveria garantir, fundamentalmente, o monopólio da navegação da rota do Cabo;
e) a instalação de feitorias que estimulassem o plantio, pelas comunidades indígenas, do pau-brasil, produto valorizado no mercado europeu e, por isso, gerador de lucros para o Estado português.

9 - (Fuvest-SP) “A sociedade colonial brasileira "herdou concepções clássicas e medievais de organização e hierarquia, mas acrescentou-lhe sistemas de graduação que se originaram da diferenciação das ocupações, raça, cor e condição social. (...) as distinções essenciais entre fidalgos e plebeus tenderam a nivelar-se, pois o mar de indígenas que cercava os colonizadores portugueses tornava todo europeu, de fato, um gentil-homem em potencial. A disponibilidade de índios como escravos ou trabalhadores possibilitava aos imigrantes concretizar seus sonhos de nobreza. (...) Com índios, podia desfrutar de uma vida verdadeiramente nobre. O gentio transformou-se em um substituto do campesinato, um novo estado, que permitiu uma reorganização de categorias tradicionais. Contudo, o fato de serem aborígines e, mais tarde, os africanos, diferentes étnica, religiosa e fenotipicamente dos europeus, criou oportunidades para novas distinções e hierarquias baseadas na cultura e na cor." (Stuart B. Schwartz, Segredos internos.)

A partir do texto pode-se concluir que
a) a diferenciação clássica e medieval entre clero, nobreza e campesinato, existente na Europa, foi transferida para o Brasil por intermédio de Portugal e se constituiu no elemento fundamental da sociedade brasileira colonial.
b) a presença de índios e negros na sociedade brasileira levou ao surgimento de instituições como a escravidão, completamente desconhecida da sociedade européia nos séculos XV e XVI.
c) os índios do Brasil, por serem em pequena quantidade e terem sido facilmente dominados, não tiveram nenhum tipo de influência sobre a constituição da sociedade colonial.
d) a diferenciação de raças, culturas e condição social entre brancos e índios, brancos e negros tendeu a diluir a distinção clássica e medieval entre fidalgos e plebeus europeus na sociedade.
e) a existência de uma realidade diferente no Brasil, como a escravidão em larga escala de negros, não alterou em nenhum aspecto as concepções medievais dos portugueses durante os séculos XVI e XVII.

10 - (Mackenzie) “Enquanto os portugueses escutavam a missa com muito "prazer e devoção", a praia encheu-se de nativos. Eles sentavam-se lá surpresos com a complexidade do ritual que observavam ao longe. Quando D. Henrique acabou a pregação, os indígenas se ergueram e começaram a soprar conchas e buzinas, saltando e dançando (…)” (Náufragos Degredados e Traficantes - Eduardo Bueno)
Este contato amistoso entre brancos e índios era preservado:
a) pela Igreja, que sempre respeitou a cultura indígena no decurso da catequese.
b) até o início da colonização quando o índio, vitimado por doenças, escravidão e extermínio, passou a ser descrito como sendo selvagem, indolente e canibal.
c) pelos colonos que escravizaram somente o africano na atividade produtiva de exportação.
d) em todos os períodos da História Colonial Brasileira, passando a figura do índio para o imaginário social como "o bom selvagem e forte colaborador da colonização".
e) sobretudo pelo governo colonial, que tomou várias medidas para impedir o genocídio e a escravidão.

11 - (Uff) A "Carta de Pero Vaz de Caminha", escrita em 1500, é considerada como um dos documentos fundadores da Terra Brasilis e reflete, em seu texto, valores gerais da cultura renascentista, dentre os quais se destaca:
a) a visão do índio como pertencente ao universo não religioso, tendo em conta sua antropofagia;
b) a informação sobre os preconceitos desenvolvidos pelo renascimento no que tange à impossibilidade de se formar nos trópicos uma civilização católica e moderna;
c) a identificação do Novo Mundo como uma área de insucesso devido à elevada temperatura que nada deixaria produzir;
d) a observação da natureza e do homem do Novo Mundo como resultado da experiência da nova visão de homem, característica do século XV;
e) a consideração da natureza e do homem como inferiores ao que foi projetado por Deus na Gênese.

12 - (UEPR) Leia o texto:
"Nassau chegou em 1637 e partiu em 1644, deixando a marca do administrador. Seu período é o mais brilhante de presença estrangeira. Nassau renovou a administração (...) Foi relativamente tolerante com os católicos, permitindo-lhes o livre exercício do culto, como também com os judeus (depois dele não houve a mesma tolerância, nem com os católicos, nem com os judeus — fato estranhável, pois a Companhia das Índias contava muito com eles, como acionistas ou em postos eminentes). Pensou no povo, dando-lhe diversões, melhorando as condições do porto e do núcleo urbano (...), fazendo museus de arte, parques botânicos e zoológicos, observatórios astronômicos." (Francisco lglésias)

Esse texto se refere:
a) à chegada e à instalação dos puritanos ingleses na Nova Inglaterra, em busca de liberdade religiosa.
b) à invasão holandesa no Brasil, no período de União Ibérica e à fundação da Nova Holanda no Nordeste açucareiro.
c) às invasões francesas no litoral fluminense e à instalação de uma sociedade cosmopolita no Rio de Janeiro.
d) ao domínio flamenco nas Antilhas e à criação de uma sociedade moderna, influenciada pelo Renascimento.
e) ao estabelecimento dos sefardins, expulsos na Guerra de Reconquista Ibérica, nos Países Baixos e à fundação da Companhia das Índias Ocidentais.







“Não permita Deus nosso Senhor que, onde eu não posso ajudar, venha a prejudicar a alguém”.
Santo Inácio de Loyola

sexta-feira, 2 de março de 2012

A invasão holandesa no Brasil



Opressão, repreensão e decadência: a saída de Nassau e os últimos anos da soberania holandesa pós-Nassau, 1644 a 1654.

por Rafael Agostinho Da Silva

Sobre o autor *
Introdução
O cenário da dominação holandesa no Brasil Contemplou eventos muitos importantes em sua época, Marcando traços profundos na história das então capitanias do nordeste Brasileiro, nas quais faziam parte; Paraíba, Pernambuco, Alagoas (sul de Pernambuco), Rio grande do norte, Piauí, Ceará e Maranhão.
Apesar de se tratar de um período curto dentro de uma história mais global, pois a dominação flamenga durou 24 anos (1630-1654), porém não podemos esquecer que a dominação flamenga tratou-se de um período de muita intensidade política, econômica, social e cultural que foi desenvolvida em uma específica região do território nacional (Nordeste).
O seu caráter traz para os historiadores uma característica fundamental para o debate sobre as histórias das colonizações, pois nesta ocasião houve uma “tentativa” de impor uma nova colonização a uma área que vinha sendo colonizada pelos portugueses desde meados do século XVI. Este fato demonstra a grande relevância que têm esse período e talvez a grande existência quantitativa de literaturas e trabalhos científicos que são proporcionados para essas duas décadas e meia de Brasil - Holandês.
A saída de Nassau (1644)
Recentemente talvez por modismo ou por grande influência de uma crescente pós-modernidade a maiorias dos trabalhos sobre a dominação holandesa se encaminham para uma abordagem unilateralmente cultural e fazem verdadeiros tratados sobre a influência cultural holandesa no Brasil e sua incompatibilidade cultural com os luso-brasileiros e com os portugueses que aqui se encontravam, apontando os aspectos diferenciadores dessa região como grande destaque e talvez de fundamental importância para a ruína desta “tentativa” de império holandês.
Destaca-se nestas análises principalmente os períodos que foram governados pelo príncipe João Mauricio Nassau, caracterizado pela maioria dos historiadores como o auge da dominação holandesa no Brasil. Seu governo teve fundamental importância pelos grandes investimentos colocados nos aspectos urbanos, arquitetônicos e culturais. Ressaltemos aqui as construções dos “seus palácios” de Friburgo e Boa vista e o seu grande incentivo a educação dos locais e dos índios Tapuyos.
Contudo este enquadramento por partem de nossos recentes estudos historiográficos foram o que deram gênese e o principal incentivo para a construção de nossa pesquisa histórica sobre o tema em questão. Ao apreciarmos a grande importância dada ao período de Nassau e toda “luz” em volta deste personagem, enxergamos existir certa “escuridão” sobre aquilo que vinha depois dessa fase. Emergindo-nos aqui a necessidade de entender os acontecimentos ocorridos entre “o auge” da dominação e uma possível “decadência”.
Neste artigo estamos procurando responder questionamentos e indagações de tipo; Como foi o período pós Nassau ou pré- insurreição pernambucana? Qual foi a organização política e a posição da república holandesa nesta fase? Houve uma continuidade ou ruptura correlação ao governo de Nassau?. Para responder este tipo de perguntas tínhamos que sair de todo um emblema de discursos e óticas culturais que a pós-modernidade tentar resgatar com grande veemência, buscando numa historiografia abordagens políticas e econômicas que foram de princípio tão predominante no início do século XX.
Dentro desta pesquisa encontramos três historiadores do qual colocaremos em questão para a compreensão do tema, que são; Flavio guerra, e os seus sintéticos livros; História de Pernambuco e uma aventura holandesa no Brasil, Pereira da Costa, em sua grande coleção dos seus; anais pernambucanos, no qual nos focamos no terceiro volume 1635-1665, e terceiro historiador, Hermann Wätjen em seu: O domínio colonial holandês no Brasil. Todos praticamente datam de um mesmo período historiográfico por voltam de 1930 e carregam as influências de uma história política e nacionalista característico de uma historiografia alemã Rankeana, apesar de já estarmos no berçário inovador da recente escola dos Annales em sua origem.
Partiremos de um ponto inicial para começarmos a entender este período, neste caso seria o evento gênese que marcou o inicio da década que estamos pesquisando, por isso iremos debatermos a necessária questão compreensiva de como decorreu à saída de Nassau do governo do Brasil holandês. Segundo Flavio Guerra a retirada do príncipe foi por motivos inteiramente políticos - econômicos que podemos enxergar nesta sua seguinte passagem:
Nassau começara aos poucos entrando em choque, se desentendo com os diretores da W.I.C. Não se coadunando com a sua administração os modos ambiciosos e puramente mercenários dos burgueses de Amsterdã. Passou ele a ser tratado como um perdulário, o “rico príncipe que queria ser imperador nas Américas”. E pressionado pelas impertinências e picuinhas, deixou o governo do Brasil holandês em 1644 regressando aos Países Baixos. (GUERRA, 1979, P.55)
A citação de Guerra resume em escala ampla aquilo que de ponto de vista generalizado se explana sobre a saída Nassau do governo do Brasil holandês, pois existe em ampla aptidão por parte dos nossos historiadores (brasileiros) certa admiração pelo Conde e Príncipe, principalmente, diga de passagem, pela sua grande capacidade administrativa de governar com certa paz e tranqüilidade uma região tão conflitante em seus máximos sentidos.
Pernambuco se tratava de uma região de grande diversidade social, na qual tínhamos; portugueses, negros escravos, luso brasileiros, índios e os próprios holandeses. Assim como a pós-modernidade nos aponta existia toda uma diferencia de modos, costumes, religiões e idéias que davam ao local uma espécie de “caldeirão cultural” que apesar de terem tido ocorridos algumas fusões culturais, as resistências por mais política que fossem acabaram se estruturando em “barreiras culturais” que travavam a homogeneização da região.
Portanto vem desta preposição a importância que se denotam para Nassau, como se fosse ele (Nassau) o homem capaz de amenizar essas diferencias possibilitando num período curto de tempo uma governabilidade “pacífica” a uma região no qual para conquistá-la foi necessária uma grande quantidade massiva de capital.
Não podemos esquecer que a conquista do Nordeste brasileiro gerou comprovadamente um grande débito a empresa comercial responsável pela administração da colônia, a W.I.C(companhia da índias ocidentais) A pouca importância mencionado a esta implicação é demonstrada de forma sintética pelo historiador Guerra na sua seguinte citação:
Com a saída do conde, pode-se dizer que desapareceu na colônia o principio de autoridade. Ele fora o único capaz de equilibrar os interesses da Holanda, sem ferir os da terra, mantendo a paz.(GUERRA, 1979,P. 55)
Essa fomentação de Guerra se baseia acima de tudo nos discursos que explanam o período de Nassau inter-relacionado a uma fase de “liberdade política”, econômica, social e religiosa, no qual o governo do príncipe Nassau proporcionou para superar a crise após a conquista do litoral nordestino, ou melhor, da recém Nova Holanda.
Nesta crise a maioria dos engenhos de açúcar tinha sido devastada e as plantações queimadas durante o processo de invasão, foram necessárias uma grande força diplomática para restaurar a principal economia da colônia, o açúcar. Isto nos é muito bem descrito pelo Wätjen na sua seguinte explanação:
Não era fácil tarefa para o governo Recifense com os insuficientes recursos postos à sua disposição reparar todos os danos causados pela guerra pernambucana, e satisfazer aos diretores em sua ânsia de lucros cada vez maiores. É de admirar, entretanto, que João Mauricio tenha, apesar de tudo, sabido insuflar um novo alento á economia agrícola estiolada e re-erguer a abatida prosperidade do país. (WÄJTEN, 1938,P. 196)
Contudo todo um discurso que Nassau reergueu as capitanias com bases nas mediações e negociações entre os locais e os interesses holandeses deixa por si, incessantes indagações e grandes lacunas para preencher ou então seremos levados a crê num equilíbrio social nos setes anos em que Nassau governou.
Entretanto em nenhum momento podemos esquecer que a dominação holandesa se tratava de uma invasão e que por mais que a diplomacia de Nassau tentasse equilibrar os direitos entre as diversas classes que existiam na Nova Holanda, os privilégios dos holandeses eram visíveis, porém seus atos faziam que esta opressão fosse “maquiada” ou amenizada, isto evidentemente deu uma governabilidade qualificada em correlação aos outros governos holandeses aqui administrados, afastando de seu regime o latente perigo que significava a idéia de dominação. Wätjen e Guerra nos ratificam isto através das suas seguintes citações;
Por mais que fosse ao encontro dos portugueses e procurasse grangear-lhes a amizade, João Mauricio guardava-se em todo caso de lhes confiar postos de responsabilidade, embora pudessem eles, como João Fernandes Vieira e Manoel Calado fazer parte do seu circulo intimo. Ouvi-lhes de bom grado o conselho. Mas em caso algum lhes era permitido ocupar posições em que se pudessem tornar perigosos á dominação holandesa. (WÄJTEN, 1938,P.203)
Pois, maior que fossem os benefícios oferecidos por Nassau aos pernambucanos, seria sempre os holandeses aqueles brutais invasores de linguajar estranho, religião antagônicas, idéias opostos, tudo enfim diferente da velha colonização lusa. O regime flamengo era duro, sem favores, e nunca o braço justiceiro e imparcial de Nassau pudera evitar os favores e as preferências a patrícios da Holanda.(GUERRA, 1979, P. 55)
Se a opressão de uma dominação foi amenizada neste período por Nassau, porém mesmo com todas suas ações “defensivas” ainda existiram muitas rebeliões libertadoras como a do maranhão de 1642, no qual, Nassau desesperadamente exigia urgentemente do alto conselho (Oficiais do centro da administração da W.I.C) mais capital para investir na reestruturação dos fortes, do aumento da tropa e no pagamento em dia dos seus soldos.
No entanto o seu pedido foi recusado com argumentos que Nassau havia gasto uma grande quantidade dos investimentos da companhia nas construções “pessoais” de seus palácios e na formação de uma “imaginaria” corte local. A solução dada do Alto conselho para Nassau era que ele procurasse arrancar juros da produção de açúcar, arcando sozinho com seu próprio governo, podemos dizer que essa reposta secretou a saída de Nassau de Pernambuco.
Junta governamental (1646-1654)
Após a saída de Nassau o Supremo Conselho do Recife assumiu o governo até 1646 onde houve uma reunião dos Estados Gerais para o qual nomearam cinco membros que formariam o alto conselho ou a junta de governo, presidido agora por Walter van Schonenborch. Como nos mostra Pereira da Costa;
Este conselho governou até agosto de 1646, quando foi substituído por um outro composto de cinco membros, com o titulo de alto conselho ou junta do governo, organizado pelo novo regimento de 10 de outubro de 1645 e aprovado pelos estados gerais, ficando nessa parte alterado o que foi dado a Nassau em 1636 (PEREIRA,1983,P.187)
O novo conselho recém nomeado tinha uma dura missão a cumprir. Primeiro tentar substituir o grande status social que Nassau atingiu durante seus os sete anos de governo, os relatos de Wajten (1938) relata que sua saída foi extremante gloriosa chegando a ser ovacionado pela população local que já via com maus olhos a mudança para um novo governo.
Segundo, o clima de rebeliões que voltava a paira na atmosfera da nova Holanda principalmente depois 1642, colocava este novo governo em alerta para possíveis conspirações ou a iminência de um ataque próximo.
As “liberdades dadas” e alguns privilégios compartilhados da época de Nassau foram reconsiderados pela Junta e colocados como “absurdos” para este novo conselho que necessitava de recursos para financiar os custos da colonização. Era necessário impor a ordem novamente para que assim pudessem garantir as safras anuías de açúcar.
Destes cortes de “liberdades” podemos apontar duas ações que tiveram fundamental importância e caracterizaram este governo pós-Nassau. Primeiro a liberdade religiosa, pois a maioria dos portugueses era católica e o fim de sua liberdade religiosa foi um banque moral muito grande para os colonizados.
Usando simplesmente a argumentação da imposição política o novo governo pós Nassau chegou ao extremo apontando e denunciando as igrejas católicas como base para a conspiração dos rebeldes, contudo o que se escondeu neste discurso foi à incapacidade da Junta Governamental de abafar os insurretos através da capitulação dos seus líderes, tomado atitudes que provocavam ainda mais ódio existente na população pelos holandeses. Flavio Guerra classificou a organização política deste período pós Nassau com as seguintes palavras;
Dirigidos novamente por um governo militar, os invasores retornaram a ser apenas dominadores, e desencadeou-se outra vez brutal a incompreensão entre os da terra e eles, que aumentou e tomou aspectos mais grave quando os judeus e protestantes voltaram a ultrajaras crenças, passando a fechar igrejas, devassar conventos, sacristias e até capelas de engenhos, onde se dizia estarem se reunindo conspiradores. Havia qualquer coisa de real nas suspeitas. Era o foco do irredentismo que começava a lavrar. (GUERRA, 1979, P.55)
Outro ponto que causou profunda rebelião nos moradores recifenses correlação ao novo governo foi o modo duro de como foi cobrado às dívidas que os próprios holandeses teriam ajudados os portugueses a criar no período de Nassau. Essas dívidas foram provocadas pelo processo de recuperação dos engenhos pós a guerra de conquista e que foram pagas através de empréstimos holandeses aos proprietários locais num preço de altos juros.
Nassau durante o seu governo vivia prorrogando o prazo para não criar convulsão e evitar assim que o sistema de produção de açúcar parasse, pois para Nassau isto sim seria muito preocupante para a Companhia. O que não aconteceu com o novo governo que procurou reaver esses capitais de volta usando da excessiva brutalidade nas cobranças destas dívidas.
Essas ações praticadas pela nova Junta contribuíram para intensificar as conspirações dos insurretos que começaram a se preparar com mais força, conseguintemente esta opressão resultou num aumento dos números de conflitos que necessariamente precisaria de mais capital para deter estes novos conflitos e principalmente para equipar o exército e pagar seus soldos.
No entanto em meio ao conflito o único meio de gerar capital acabou se paralisando neste tempo, pois a área comercial das cidades e essencialmente as produções de açúcar não conseguiram se estabelecerem produtivamente num período de guerra e como nesse tempo os estados gerais e a companhia não queria mais desperdiçar dinheiro com a colônia a Junta se enxergava isolada e sua manutenção dependia unicamente de seus esforços.
Nessa conjuntura existia uma grande desconfiança por parte da Junta de haver uma grande corrupção na emissão do capital, ou seja, desvios dos capitais dos acionistas vindo da Europa, com isso uma grave crise econômica estava sendo formada e por questão de tempo isto levaria na derrocada holandesa e na insurreição pernambucana.
Com base em tudo que já argumentamos podemos agora responder as perguntas que logo de inicio colocamos como “os holofotes da pesquisa”. Primeiro, o período pós Nassau foi de intensa opressão e muitos dos “favores” que Nassau tinha colocados em prática em seu governo foram abdicados, isto fruto de uma intensa necessidade de restaurar os cofres da companhia responsável pela administração da colônia na época, que vivia neste período em enfermo prejuízo.
Segundo, a organização política desta fase se caracterizou por cinco membros nomeados pelos Estados Gerais dos países baixos que assumiram uma posição extremamente opressora de cortar gastos com administração local tendo agora a junta local à obrigação de arcar sozinha com suas despesas.
Terceira e ultima indagação que fizemos foi sem houve ou não ruptura em correlação ao governo de Nassau, podemos afirmar aqui que houve mudanças nos modos mais não uma ruptura, pois a opressão está presente nos dois períodos, quanto no governo de Nassau de forma suave, tanto quanto no governo pós Nassau de forma dura e militar.
Considerações finais
O estudo retratado aqui se trata apenas de umas das abordagens possíveis que a História pode proporcionar em suas variantes incalculáveis, Construídas com as mesmas fontes usadas ou com outras mais abrangentes e oportunas sobre o mesmo assunto. Sucintamente levamos em conta que o período em questão ainda é muito pouco abordado e havendo certo esquecimento por parte de nossa historiografia.
Podemos explanar que essa “esclerose” de esquecimento é fruto de todo um discurso historiográfico que enobrece com grande “brilho” e pompa a fase de Nassau na dominação, vista inclusive como uma espécie de “idade de ouro” do período holandês. O pós-Nassau é certamente algo que só é visto como uma decadência não se levando em consideração os fatos que marcaram e caracterizaram este período.
Referências
COSTA PEREIRA, F. A: Anais pernambucanos. Recife: Fundação Do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, 1983. 3 v.
GUERRA, Flávio: História de Pernambuco. Recife: Assembléia legislativa Do Estado De Pernambuco, 1979.
GUERRA, Flávio: Uma Aventura Holandesa no Brasil. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1977.
WÄJTEN, Hermann: O domínio colonial holandês no Brasil. Tradução: Pedro Celso Uchoa Cavalcanti. Recife: Companhia editora nacional, 1938.